Fundação Cultural Cassiano Ricardo

O programa ofertou este ano cerda de 50 diferentes modalidades de arte / Foto: Paulo Amaral

Todo início de ano muitas pessoas aguardam, ansiosamente, a abertura de novas vagas nas oficinas culturais oferecidas, gratuitamente, pelo programa Arte nos Bairros, sob a gestão da Fundação Cultural Cassiano Ricardo (FCCR). E não é para menos. Só neste ano, o programa atendeu cerca de 8.000 pessoas em 328 oficinas culturais nas 10 casas de cultura, localizadas em todas as regiões de São José dos Campos, além das parcerias com entidades.

As oficinas culturais geralmente são ofertadas conforme a vocação de cada região da cidade, podendo ser dança, arte circense, música, cantos, artesanato, teatro, brincadeiras infantis, fotografia, literatura, yoga e muitas outras. Em 2019, foram cerca de 50 diferentes modalidades da arte.

As atividades acontecem o ano todo, de segunda a sexta-feira, das 8h às 22h, e atendem pessoas a partir dos 7 anos de idade. Além de ação formativa, o programa promove também a difusão cultural entre a comunidade local e a formação de público.

Sociabilização, desinibição, desenvolvimento pessoal, aumento da autoestima, diversão, conhecimento e oportunidades estão entre os benefícios reconhecidos por quem participa do programa Arte nos Bairros. 

Luciene Rodrigues é mãe de João Pedro, de 10 anos, e Maria Clara, de 8, que iniciaram as aulas em 2019 na oficina de capoeira da Casa de Cultura Tim Lopes, na zona sul. “Eles chegaram tímidos, com vergonha de falar em público e com medo de se apresentar, mas o trabalho do orientador Laguinho foi incrível. Eles passaram a amar a arte da capoeira. Sem dúvida, as oficinas ajudam no desenvolvimento pessoal, educacional e emocional”, afirmou a mãe.

A aprendiz de pintura e cerâmica Mariana Hiralta, de 32 anos, considera que as oficinas proporcionam muitas experiências. “É como uma válvula de escape diante da correria do dia a dia, um momento só meu. É a minha oportunidade de materializar sentimentos da alma. Retornei para a arte este ano e não imagino mais minha vida sem ela”, disse a aluna da Casa de Cultura Chico Triste, na região leste.

Para a orientadora de canto coral e teclado, Danielle Mezzadri, a parte mais recompensadora de dar aulas é a evolução de cada aprendiz. “Vai muito além de quesitos musicais, envolve o caráter, postura em público e o aumento da autoestima ao ver desafios vencidos. É muito bom vê-los orgulhosos e com seus olhos brilhando durante as apresentações ao final do ano. As oficinas se tornam uma família, todos se apoiam, crescem e pensam juntos”, afirmou a orientadora das casas de cultura Lili Figureira, na região sudeste, e Rancho do Tropeiro, na região leste.

De aluno a professor, de participante a gestor

O orientador de percussão da Casa de Cultura Chico Triste, Diego Rodolfo, começou a dar aulas em 2019, porém sua história com as oficinas começou muito antes disso. “Há 10 anos, fui aprendiz da mesma casa que atuo hoje. Esse projeto é muito importante na vida das pessoas, pois proporciona conhecimento em diversas áreas culturais e para idades variadas. Além de capital cultural, é também lazer, divertimento, sociabilização e oportunidade como eu tive”.

Elaine Coelho conheceu a Fundação Cultural em 1996, ainda adolescente. Hoje, ela é concursada e gestora do Núcleo de Ação Cultural Descentralizada, na região sul. Para ela, o programa contribui também para ocupar positivamente a vida do jovem. “um trabalho sutil, mas muito efetivo. O processo ocorre naturalmente e toda essa experiência pode resultar, inclusive, no combate à depressão. Ação cultural é isso, é vida, é alegria”, enfatizou a agente cultural.

 

Publicado em: 16/12/2019

Links