Fundação Cultural Cassiano Ricardo


O personagem Matias Cão, interpretado pelo ator Rodrigo Nasser. Foto: Paulo Amaral/FCCR.

Um golpe militar contado de forma cômica, é a síntese do espetáculo Burundanga – A Revolução do Baixo Ventre, estreado pela Damião e Cia de Teatro, de Campinas, no último dia 31 de agosto, no Sesi São José dos Campos. A peça ainda teve outras duas apresentações no final de semana, no mesmo local, e integrou a programação do 33º Festivale, que prossegue até domingo (9).   

“O Festivale é muito importante para a cena nacional e este ano está com uma programação maravilhosa, por isso assumimos com grande responsabilidade fazer a estreia da peça aqui”, enfatizou a atriz Fernanda Jannuzzelli, que interpresta a personagem Boracéia.

A comédia conta a história de uma dupla de trambiqueiros que acaba de chegar a uma cidadezinha nos confins do Brasil. Quando dominados pela fome, miséria e desgaste, assumem uma postura inusitada: se vestem de militares e fazem todo o município acreditar que o país foi tomado por um golpe militar.

Dramaturgia

O texto da peça foi escrito em 1994 pelo dramaturgo Luís Aberto de Abreu e sofreu poucas alterações para se encaixar na peça. “Como o nosso diretor diz, o texto foi escrito em uma época que ele imaginava que aquilo tinha passado, que não ia acontecer de novo”, contou Rodrigo Nasser, intérprete do Matias Cão, um dos trambiqueiros da peça.

As pequenas alterações que a peça sofreu incluíram elementos atuais. “As referências diretas são poucas, mas a ideia é falar da realidade pela ironia”, explicou Fernanda. “A gente lia o texto e as coisas iam saltando, mas não colocávamos tudo porque já está escrito, não precisamos escancarar nessa poética”, completou Rodrigo.

Público

Para a engenheira Carolina Martins, de 27 anos, o espetáculo combinou o humor com temas profundos que vivemos na sociedade. “Para as crianças, a peça traz uma forma de assimilar, mesmo que inconscientemente, esses temas. As vezes seria muito duro ver tudo isso de uma forma mais realista, então é uma forma interessante de passar para elas”, opinou a engenheira.

O estudante Erick Medeiros, de 15 anos, que faz curso de teatro, disse que o mais legal da peça é o fato dela não deixar explícito o que quer passar. “A peça deixa em uma fantasia aquilo que é real”. Para ele, os atores eram bem expressivos, o que deixou tudo ainda mais legal. “O tema também é muito atual, principalmente porque estamos em época de eleições”, finalizou Erick.  

O Festivale é uma realização da Prefeitura de São José e acontece anualmente sob gestão da Fundação Cultural Cassiano Ricardo, que este ano conta com o apoio da Associação para Fomento da Arte e da Cultura (AFAC), Parque Vicentina Aranha, Sesi São Paulo/São José dos Campos, Fundo Social de Solidariedade e Jovem Pan. 

Teatro do SESI
Av. Cidade Jardim, 4389 – Bosque dos Eucaliptos

(12) 3936-2611

Programação



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