Fundação Cultural Cassiano Ricardo

Christina Hernandes e suas obras / Foto: Flávio Pereira

Christina Hernandes é membro da Academia Joseense de Letras, tem uma coleção de sete livros voltados para deficientes visuais, escreve livros voltados para crianças há 20 anos e também é a entrevistada dessa semana no Programa Prosa Literária, da FCCR. Confira um pouco da entrevista que a escritora e conheça mais a sua carreira. 

FCCR: Christina, você tem um trabalho de anos na cidade e que tem dado muitos frutos. Conte-nos um pouco sobre a sua carreira literária.

Christina Hernandes: Eu comecei a escrever 20 anos atrás. Meu primeiro livro foi o Minguinho, que era um livro voltado pra crianças de 05 a 07 anos e a história é sobre as parlendas em que os personagens são os dedos da mão: Minguinho, Sorrisinho, Pai de Todos, Fura Bolo e Mata Piolho. E a partir desse livro, eu comecei a lançar livros todos os anos, cada um com uma história diferente baseada na minha experiência da minha profissão de Assistente Social com saúde mental e crianças especiais.

FCCR: De onde veio a inspiração para criar histórias voltadas a crianças com deficiência visual?

CH: O meu início deste trabalho com o Provisão, ele foi por causa de uma palestra que a Meire estava fazendo na Câmara Municipal, apresentando o trabalho do Provisão e eles precisavam de alguém que doasse um livro pra iniciar a Gráfica Braile. Eu estava na plateia e coloquei o meu livro Minguinho à disposição, foi aí que nós começamos a coleção da Vida e Minguinho, que é um livro voltado pra crianças com deficiência visual e continuamos até hoje, ainda não terminamos a série, são dez livros, que ainda estamos lançando, e este ano vamos ver se lançamos o sétimo livro.

FCCR: Qual o sentimento de ter influenciado tantas crianças com os seus livros?

CH: É um prazer muito grande saber que, de alguma forma, eu ajudei as crianças e os adolescentes e eles me auxiliaram nessa evolução com relação à leitura, gostar de pesquisar e de ir atrás do conhecimento, porque não é somente o escritor que ensina e aprende, o aluno e o professor também, então, essa troca existente entre escritor e os alunos é muito boa, traz uma alegria muito grande.

FCCR: Dentre todos os seus livros, qual foi o que mais te marcou?

CH: São vários, gosto muito do Minguinho, porque foi o primeiro, foi onde tudo começou, foi por causa dele que me tornei escritora, não pensava nisso na minha vida. Depois, com a evolução da escrita, outros livros que escrevi que gosto muito são Árvores Guerreiras, que trata da ecologia, Caverna de Cristal, então são vários. Como cada livro é um filho, fica difícil falar que gosto mais desse filho do que daquele, eu gosto de todos!

 

Produções da autora

FCCR: Você tem algum escritor em quem se inspire ou que tenha como leitura obrigatória?

CH: Eu gosto muito de Monteiro Lobato! Ele é o patrono da cadeira que eu faço parte na Academia Joseense de Letras, porque, na minha opinião, é o maior escritor do Brasil, a forma como ele sempre articulou as histórias, indo da história infantil até artigos políticos. Então é uma pessoa que já se foi, mas a gente fala como se estivesse presente porque a obra dele permanece. Então ele é um escritor que sempre volto pra dar uma nova olhada no que ele já escreveu.

FCCR: Deixe um recado para aqueles que estão começando agora nesse caminho com a escrita de histórias e publicações.

CH: É uma coisa que eu sempre falo nas escolas aonde eu vou, porque criança e adolescente escreve muito e, às vezes, a própria família acha que aquilo é uma bobagem porque foi só uma frase ou um texto curto, mas, faça a criança guardar aquilo que ela escreveu, os textos podem se transformar em grandes histórias. Todos os meus textos, todos os meus livros editados, eles se iniciaram com uma pequena frase que eu guardei. Pra criança ter essa vontade de escrever, ela precisa dominar e gostar de ler, e ela precisa ler sempre, não precisa ser necessariamente um livro, pode ler um gibi, uma piada, o que importa é ela ler, porque na medida que ela lê, adquire conhecimento, e esse conhecimento fica guardado e um dia ela pode utilizar!

É esse recado que eu deixo: leiam, escrevam e guardem tudo que vocês escreverem. Hoje nós temos crianças que já lançaram livros. As pessoas têm muito medo de mostrar o que escrevem, pelo medo da crítica, mas não se pode pensar nisto! A crítica vai vir de qualquer forma, sendo um texto excelente ou sendo um texto mais fraco, ela virá. Então você não pode ter medo da crítica, faça, escreva! Se aquele primeiro texto não ficou tão bom quanto você gostaria, os próximos vão ficar muito melhores!

 

Assista a entrevista em vídeo aqui.

 

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