Fundação Cultural Cassiano Ricardo

As festas juninas já terminaram, mas em São José dos Campos elas ainda são realizadas em julho, sendo chamadas de ‘festas julinas’. Atento a esta manifestação extemporânea, o Museu do Folclore (Av. Olivo Gomes, 100 – Pq. da Cidade) vai abordar o tema no próximo domingo (20), das 14h às 17h, em mais uma edição do Projeto Museu Vivo.

“A realização de ‘festas julinas’ já se tornou um costume em São José dos Campos, por isso continuamos abrindo espaço para manifestações populares com este tema”, destaca a cientista social e folclorista Angela Savastano, presidente do Centro de Estudos da Cultura Popular (CECP), associação social sem fins lucrativos responsável pela gestão do Museu do Folclore.

Essa atividade contará com a presença dos ‘fazedores’ Íris Pereira Santos, Agenor Lessa e Helen Rose de Paula, convidados pelo Museu do Folclore. Eles vão mostrar os seus ‘saberes’ e trocar experiências com as pessoas presentes.

As músicas tradicionais das festas juninas serão uma das atrações do ‘Museu Vivo’, ao som da pequena sanfona do joseense Íris Pereira Santos, de 57 anos, entregador de gás que gosta de tocar nas horas vagas, como passatempo ou para animar as festas da família.

Ele conta que com cinco anos de idade ganhou do pai uma sanfona de ‘quatro baixos’ (termo técnico que identifica o tamanho e a capacidade sonora do instrumento). Foi com este incentivo que aprendeu a tocar o instrumento, mesmo sem conhecer partitura musical.

“Tudo que eu sei aprendi ‘de ouvido’, pois ficava vendo e ouvindo outros sanfoneiros tocarem num bar perto da minha casa”, conta Íris. Ele toca todo tipo de música e é bom de improviso, desafiando outros tocadores quando encontra um parceiro à altura (calango).

E se vai ter música junina não pode falta o ‘puxador de quadrilha’, figura sempre presente quando nos lembramos desta dança típica da época. No domingo quem vai fazer este papel é o ‘fazedor’ Agenor Lessa, de 72 anos, natural de Caçapava, que também é violeiro e fascinado por festa junina desde criança.

Assim como Íris, Agenor também aprendeu a tocar sozinho. Pegava a viola do pai quando ele saia para trabalhar. Até os 18 anos trabalhou como locutor e músico, em circo e rádios do Vale do Paraíba. Mais tarde passou a animar ‘quadrilhas’ na vizinhança, pois não havia  outra pessoa que soubesse puxar a dança. Hoje está aposentado e canta e toca com a família e amigos. 

Para completar a festa, a ‘fazedora’ Helen Rose de Paula, de 35 anos, também joseense, vai mostrar como se faz um autêntico bolinho caipira, que para ela pode ser feito em qualquer época do ano. E para ficar gostoso ela recomenda: a carne precisa ser ‘de segunda’, fresca e moída na hora; e a temperatura do óleo bem quente.

Helen aprendeu a fazer bolinho caipira com a família e a primeira vez que colocou a ‘mão na massa’, literalmente, foi para atender ao pedido de fregueses de um bar onde trabalhava, quando era adolescente. “Eu fui fazendo de acordo com o que eu lembrava, de quando observava meus parentes”, conta ela.

Museu Vivo - As atividades do ‘Museu Vivo’, a partir deste mês, não serão mais realizadas todos os domingos. Elas foram concentradas no último domingo de cada mês, A intenção é valorizar ainda mais a participação e o ‘saber’ de cada ‘fazedor’ convidado, além de proporcionar uma maior interatividade com o público presente.

Eventualmente, quando houver necessidade, o dia marcado poderá ser antecipado, como ocorre agora em julho, em razão das festividades programadas para o dia 27 (aniversário do município) no Parque da Cidade, onde fica o museu.

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