Fundação Cultural Cassiano Ricardo

 

As estradas de ferro se constituíram em importante melhoria nos sistemas de transporte do país, promovendo crescimento econômico e expansão da malha urbana ao longo do seu traçado.

Também em São José dos Campos esta influência se fez sentir, embora de maneira diversa à ocorrida na maioria das cidades do Vale do Paraíba. O crescimento desta cidade não ocorreu em torno do chamado Complexo Cafeeiro. Embora o café fosse a principal atividade econômica do município, este alcançou somente níveis modestos de produção, em relação a outras cidades valeparaibanas. Mesmo com a chegada do sistema ferroviário em 1886, este quadro urbano não sofreu grandes modificações. Porém, a estrada de ferro promoveu uma melhoria no sistema de transporte de cargas e passageiros, seguida de um crescimento do comércio local. Na chamada fase sanatorial (1900-1965), funcionou como elemento facilitador da chegada de doentes, técnicos e equipamentos, fortalecendo os profissionais e as atividades voltadas para este fim (sanatórios, pensões, médicos, enfermeiros, etc.). Nos primórdios do processo de industrialização, favoreceu as transações comerciais, pois ligava as duas grandes capitais (São Paulo e Rio de Janeiro) com esta região.

O sistema ferroviário constituiu-se num processo de aperfeiçoamento e modernização dos sistemas de transporte desde sua criação até meados do século XX. Como tal, trouxe maior contato entre as cidades, facilitando os processos migratórios e, consequentemente, promovendo crescimento populacional e formação de novos focos de povoamento em torno das estações.

Sérgio Milliet, em seu livro O Roteiro de Café e Outros Ensaios demonstrou que existem dois tipos de povoamento na região em face do ciclo ferroviário. No primeiro tipo se incluem povoamentos que se desenvolveram a partir de aldeamentos indígenas, anteriores à chegada das linhas férreas, e que iriam definir o desenho da malha ferroviária em torno de suas manchas urbanas. Do segundo tipo foram os aldeamentos posteriores à chegada das companhias ferroviárias, que se constituíram e cresceram em torno das estações de trem, estas últimas construídas para a manutenção dos trens ou para o transporte de cargas das áreas rurais.

Este último processo pôde ser verificado em São José dos Campos, pois, nas regiões onde foram construídas, as estações induziram a formação e o crescimento de bairros e de um distrito: Estação Limoeiro (Bairro do Limoeiro), Estação Ferroviária de São José dos Campos (Bairro de Santana), Estação Ferroviária Engº Martins Guimarães (Bairro Martins Guimarães) e Estação Ferroviária Eugênio de Melo (Distrito de Eugênio de Melo).

 

Histórico da linha

 

Em 1869, foi constituída por fazendeiros do Vale do Paraíba a E. F. do Norte (ou E. F. São Paulo - Rio), que abriu o primeiro trecho, saindo da linha da S.P.R. no Brás, em São Paulo, e chegando até a Penha. Em 12/5/1877, chegou a Cachoeira (Paulista), onde, com bitola métrica, encontrou-se com a E. F. Dom Pedro II, que vinha do Rio de Janeiro e pertencia ao Governo Imperial, constituída em 1855. O ramal, que saía do tronco em Barra do Piraí, Província do Rio, atingira Cachoeira no terminal navegável dois anos antes, com bitola larga (1,60 m). A inauguração oficial do encontro entre as duas ferrovias se deu em 8/7/1877, com festas. As cidades da linha se desenvolveram, e as que eram prósperas e ficaram fora dela viraram as "Cidades Mortas"... O custo da baldeação em Cachoeira era alto, onerando os fretes, e foi uma das causas da decadência da produção de café no Vale do Paraíba. Em 1889, com a queda do Império, a E. F. D. Pedro II passou a se chamar E. F. Central do Brasil. Em 1890, incorporou a E.F. do Norte, com o propósito de alargar a bitola e unificá-las. Os trabalhos começaram em 1902 e terminaram somente em 1908. Em 1957 a Central foi incorporada pela RFFSA. O trecho entre Mogi e São José dos Campos foi abandonado no fim dos anos 1980, pois a variante do Parateí, construída mais ao norte, foi aos poucos provando ser mais eficiente. Em 31 de outubro de 1998, o transporte de passageiros entre o Rio e São Paulo foi desativado, com o fim do Trem de Prata, e no mesmo ano a MRS passou a ser a concessionária da linha. O transporte de subúrbios, existente desde os anos 1920 no ramal, continua hoje entre o Brás e Estudantes, em Mogi.

 

 

Estação de São José dos Campos

A estação de São José dos Campos foi inaugurada pela E. F. do Norte em 1876. A linha original vinha de Jacareí, passava pela estação do Limoeiro (esta, aberta em 1894), depois a Parada Lima, cruzava o Ribeirão do Vidoca, subia a colina na direção aproximada da atual Avenida Anchieta, galgando a escarpa e alcançava o altiplano aproximadamente na atual confluência da Avenida São João com a Avenida Nove de Julho. Nesta área foram construídas a estação, armazéns, terminal de cargas e o escritório da Companhia.

Esta localização favoreceu o desenvolvimento do núcleo central em direção a essa região. A Av. João Guilhermino (antiga “Avenida da Estação”) transformou-se no principal “portal” de entrada da cidade e o elo de ligação entre a estação ferroviária e o centro.

A antiga estação, erigida em 1887, que substituíra a original (provavelmente de madeira ou uma estação muito pequena e provisória), situava-se onde hoje se encontram a estação de tratamento de águas da Sabesp e o Tênis Clube. O acesso a ela era por aquela avenida com renques de palmeiras, a João Guilhermino, que, segundo se conta, terminava à frente da velha estação. Dali os trilhos seguiam pelas encostas do vale do rio Lavapés, obedecendo a melhor declividade e, para retornar à várzea, guinavam repentinamente em curva para cruzar o ribeirão.

Foi nesta curva que, em 1915, ocorreu um desastre de grandes proporções. Em função dele, a EFCB decidiu mudar o traçado da ferrovia, criando uma nova variante pela várzea, que tangenciava a cidade pelos campos de Santana, local da nova estação. O medo de que a mudança da estação esvaziasse economicamente o centro gerou oposição na cidade, liderada por Napoleão Monteiro, editor do Correio Joseense. O seu prestígio e os seus vínculos com o Partido Republicano chegaram a paralisar o processo, passando-se a estudar a possibilidade de transferência apenas do terminal de cargas e de permanência da estação de passageiros no local tradicional, além do rebaixamento dos trilhos, permanecendo entricheirada a ferrovia. Porém, as obras da nova estação foram iniciadas em julho de 1922 e o prédio foi inaugurado, agora na avenida Sebastião Gualberto, em 19/09/1925, às 16:00 horas, com banda de música.

Poucos meses antes disso, a Central tentou denominar a futura nova estação o ”Doutor Dutra”, nome do engenheiro da ferrovia, mas houve inúmeros protestos na cidade. No mesmo dia da inauguração da estação, foi aberta a variante de 7,120 km, fechando-se então dois postos provisórios nos quilômetros 387 e 392, que ficavam nos entroncamentos da linha velha com a variante.

A mudança promoveu o crescimento industrial no Bairro de Santana, que passou a se constituir num importante bairro operário, característica que manteve até o fim da primeira metade do século XX. Com a construção da Rodovia Presidente Dutra em 1951, ocorre a diminuição gradativa da importância do sistema ferroviário no Brasil, chegando à extinção das atividades de transporte de pessoas (manteve-se o transporte de cargas). O transporte de cargas ganha força com o processo de extinção da Rede Ferroviária Federal S. A. (RFFSA) e a concessão do direito de uso do sistema à MRS Logística em 1996.

A velha estação, desativada, foi demolida e no lugar do seu pátio e prédios foi construído o atual complexo da Sabesp para abastecimento de água da cidade. Após sua desativação, pouquíssimos são os joseenses que sabem que naquele ponto, hoje já incorporado à região central, um dia existiu a primitiva estação ferroviária de sua cidade.

A Estação de São José dos Campos segue operando até hoje, atendendo à MRS, que obteve a concessão do ramal em 1998. Ela foi preservada pela Lei Municipal n.º 4.943/96, em 1996.

 

Ramal de São Paulo - km 388,404 (1960) SP-1441

Inauguração: 19.09.1925

Uso atual: estação, com trilhos

Data de construção do prédio atual: 1925

 

Fonte:  http://www.estacoesferroviarias.com.br/s/sjcampos.htm

  

Estação de Eugênio de Mello

A estação de Eugênio de Mello foi inaugurada em 1898. A original era de madeira – a foto abaixo prova isso –, porque de acordo com o relatório da Central de 1925, nesse ano "a estação foi reconstruída em alvenaria", mesmo estando fora do trecho que foi retificado em São José dos Campos. Seu nome era uma homenagem a Eugênio Adriano Pereira de Cunha e Mello, diretor da Central de 1889 a 1891. Inativa há muitos anos, continua bem conservada junto ao bairro que se formou à sua volta. Até os anos 1990 o seu terminal de contêineres ainda foi utilizado pela fábrica da General Motors, próxima à estação.

A estação foi inaugurada em 1898, em área doada pela Família Molina. O distrito de Eugênio de Mello é distante da Cidade de São José dos Campos. Durante grande período, o distrito possuía somente como ligação deste com as cidades próximas (Caçapava e São José dos Campos) a estrada de rodagem Rio - São Paulo e a estrada de ferro.

Assim, a maior parte das necessidades do distrito eram satisfeitas através da estação.

Em conjunto com as outras três estações, foi preservada pela lei n.º 4943/96.

 

Ramal de São Paulo - km 376,064

SP-0343

Inauguração: 22.03.1898

Uso atual: fechada, com trilhos

Data de construção do prédio atual: 1925

 

Fonte: http://www.estacoesferroviarias.com.br/e/eugmello.htm

 

Estação de Martins Guimarães

A estação de Engenheiro Martins Guimarães foi inaugurada em 1921, e quatro anos depois foi reconstruída em alvenaria (1925), a 2.500 metros da estação original, devido à abertura da variante de São José dos Campos. O seu nome homenageia o engenheiro José Francisco Martins Guimarães Filho, chefe de tráfego em 1892 e depois chefe de linha e diretor. Por volta de 1948, foi desativada devido à construção de uma variante muito próxima a ela, mas que a deixou fora da linha. Uma nova foi construída com o mesmo nome na variante, mas foi demolida no início de 2004. Apesar de abandonada, a estação ainda está de pé e é tombada pelo Patrimônio Histórico Municipal

Na estrada Municipal Martins Guimarães. A mais antiga data de 1921.

Na década de 40 foi desativada, sendo construída uma nova, ainda em uso.

Foi preservada pela Lei Municipal n.º 4943/96, em 19 de Setembro de 1996. 

 

Ramal de São Paulo - km 381,668

SP-0302

Inauguração: 18.08.1921

Uso atual: abandonada, sem trilhos

 

Fonte: http://www.estacoesferroviarias.com.br/e/engmartimguim.htm

 

Estação do Limoeiro

Localizada na Rua Carlos Marcondes, foi inaugurada em 1894, passando a fazer parte do Patrimônio Histórico em 1996, através da lei n.º 4943/96.

Ramal de São Paulo - km 400,002

SP-1238

Inauguração: 05.10.1894

Uso atual: desativada, com trilhos

Data de construção do prédio atual: n/d

 

Fonte: http://www.estacoesferroviarias.com.br/l/limoeiro.htm

 

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