Fundação Cultural Cassiano Ricardo

Sanatório Maria Imaculada

 

Desde as primeiras décadas do século XX, as pensões foram elementos fundamentais do projeto sanatorial em São José dos Campos. Isso porque cobriam as lacunas deixadas pelos grandes sanatórios (iniciados em 1924), cujos custos estavam acima das condições econômicas da maioria dos doentes e que muitas vezes não tinham vagas (principalmente nas alas gratuitas).

As pensões praticavam valores mais baixos, mas ofereciam pouca infraestrutura para o tratamento da doença. Em 1930, o Departamento de Saúde de Guaratinguetá, responsável pela fiscalização sanitária da região, emitiu um comunicado a várias pensões, informando que essas seriam fechadas se não fossem modificados vários de seus procedimentos. Devido à importância que tinham para o município, o presidente da Câmara Municipal enviou um pedido para o Departamento de Saúde para que relevasse as irregularidades desses estabelecimentos. [1]

Em 1927, foi fundada na praça Afonso Pena n°14-A a “Pensão das Moças”, a qual, dois anos depois, transferiu-se para o n°12 da mesma praça.

A pensão era de propriedade da Sra. Dulce Rodrigues dos Santos, filha do Dr. Brasílio Rodrigues dos Santos, advogado, professor e político, e da Sra. Helena Herold Rodrigues. Dulce formara-se professora, em 1919, pela Escola Normal Caetano de Campos e, após formar-se, ali lecionara até 1922. Naquele ano, fora diagnosticado que havia contraído a tuberculose. Em função da doença, viera para São José dos Campos, acompanhada de sua mãe. Tinha 21 anos.

A ideia inicial por trás da instalação de uma pensão era a de possibilitar a manutenção da jovem em São José dos Campos. No entanto, seu propósito logo passou a ser o de manter as moças doentes de tuberculose dentro do “caminho da fé”. Para tanto, iniciou-se a formação de moças que mais tarde seriam as primeiras freiras da Irmandade Maria Imaculada.

O projeto ampliou-se, sendo alugada outra casa, na Rua Humaitá, n° 19, para moças jovens e pobres que tivessem tuberculose, sob a denominação de “Asilo Santa Teresinha”.

Em 1932, essa instituição, que se configurava como um pequeno sanatório em regime de semi-internato, passou a receber subvenção dos governos estadual e municipal, os quais lhe enviavam doentes.

Em 1933, iniciou-se a construção do que viria a ser o Sanatório Maria Imaculada. No convite de inauguração enviado para a Prefeitura Municipal de São José dos Campos, a própria líder da Congregação expõe os motivos da construção desse novo sanatório:

“O referido Instituto creou e mantem nesta cidade um Pequeno Sanatório para moças tuberculosas (...). Apezar de funccionar em predios inconfortabilissimos e muito pequenos, tem abrigado um sem numero de doentes, desamparados que aqui vem em busca do clima, (...), e as mais das vezes para aqui encaminhados pelas autoridades do logar, que não conta com outro estabelecimento de assistência gratuita.

Afim de dar maior eficiencia e amplitude á Obra, (...), o Instituto conseguiu construir nesta cidade, á rua Antonio Domingues, 42, um prédio moldado nas mais modernas exigências da architectura hospitalar, planta e local approvados pela Hygiene estadoal e municipal, (...).”[2]

Em 1934, Dulce e o grupo de moças que com ela trabalhavam formaram uma congregação, recebendo o hábito religioso e a denominação de “Pequenas Missionárias de Maria Imaculada”.  Dulce passou a chamar-se, então, Madre Maria Tereza de Jesus Eucarístico. Essa congregação ainda hoje mantém Serviços sócio-hospitalares e atividades filantrópicas espalhados por vários estados do Brasil” [3], e também no exterior.

O Sanatório Maria Imaculada foi inaugurado em 1935, tendo recebido, para o término das obras, subvenção da Assistência Social de São Paulo. Em janeiro do mesmo ano, recebeu isenção de impostos do Governo Municipal[4]. Em 1935 foi construído o Pavilhão Santa Terezinha para enfermas, religiosas ou laicas, seguido, em 1936, da construção da Capela, em anexo ao pavilhão feminino. Um pavilhão médico-cirúrgico foi erguido em 1942, a chamada Casa das Irmãs em 1948, o Pavilhão Cura D'Ars entre 1944 e 1948 e, por fim, a clausura em 1949.

Uma característica peculiar deste sanatório foi o Pavilhão Cura D'Ars. Projetado em 1944, já identificado como existente em projeto de 1949, destinava-se ao abrigo de sacerdotes sãos (pavimento inferior) e doentes (pavimento superior) de qualquer moléstia, algo que o diferenciava dos demais sanatórios da cidade e demonstrava o compromisso da ordem com a Igreja Católica.

Além do Sanatório Maria Imaculada, as Pequenas Missionárias de Maria Imaculada criaram duas outras obras na cidade, a Casa Santa Inês (1933), para abrigar filhos sãos de pais tuberculosos, e a Escola de Enfermagem “Dom Epaminondas”, inicialmente gratuita, com professores voluntários. Além disso, a ordem gerencia outro antigo sanatório, o Sanatório Antoninho da Rocha Marmo (1952).

Na década de 1970, com a ligação da Avenida São José com a Rua Luiz Jacinto, parte da área do Sanatório Maria Imaculada foi reduzida (onde havia a horta). Na mesma época, um trecho da Avenida São José recebeu a denominação de “Av. Madre Tereza”.

O sanatório sofreu pequenas alterações em 1978, apresentando-se até 1998 (de quando são as últimas informações disponíveis) com as mesmas características arquitetônicas. Atualmente está sendo utilizado como abrigo residencial para senhoras idosas.

 


 

[1] Fundo Gabinete do Prefeito, Série Correspondências Expedidas, 10/11/1924. O documento referido encontra-se em anexo, denominado Anexo I.

[2] Fundo Gabinete do Prefeito, Série Correspondências Recebidas, Ano 1935, Número 260.

[3] BITTENCOURT, Tânia. Arquitetura Sanatorial.

[4] Fundo Gabinete do Prefeito, Série Correpondências Expedidas, 12/1/1935.

 

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