Fundação Cultural Cassiano Ricardo

Em 1935, a cidade tornou-se, através de um decreto governamental, Estância Hidromineral e Climatérica. No entanto, desde o início do século XX, temos notícias da cidade como estância de cura da Tuberculose. As primeiras fontes encontradas acerca da acolhida de tísicos datam de 1905.

Poucos dados acerca do mesmo temos no momento. Sua origem e data de nascimento ainda são desconhecidas. Chegou à cidade em 1929, a convite da Santa Casa de Misericórdia, para trabalhar como tisiólogo.

O Boletim Médico, iniciado em 1930, tinha como redator e principal colaborador o Dr. João Batista. Seus textos são em grande maioria, uma defesa da criação da Estância Climatérica, do estabelecimento de sanatórios populares, de maneira a não haver “constrangimentos” entre as diversas camadas sociais, do tratamento em clima de média altitude e pelo tratamento clínico da doença, chamado de c-c-c – cama, comida e clima. Este boletim foi um dos importantes documentos acerca do pensamento dos médicos especializados em tuberculose, das mais diferentes vertentes políticas, que influenciaram definitivamente a expansão urbana da cidade.

João Batista de Souza Soares foi, em 1935, presidente da Associação Esportiva São José, em 1946, Diretor clínico do Sanatório Ezra, tisiologista do Sanatório Vicentina Aranha, orador oficial do Centro de Cultura local, presidente do Conselho Consultivo da cidade em 1936 e vereador pelo PRP na gestão de 1951, além de membro da Diretoria do Tênis Clube São José. Teve ainda várias de suas reportagens publicadas na imprensa da cidade de São Paulo. Demonstra com isso, ter bastante influência na sua especialidade médica, na área política, além de um contato social amplo, que pode ser demonstrado posteriormente.

Na década de 30, possuía consultório na rua 15 de Novembro e residência na avenida nove de julho, 117. Em 1944, iniciou a construção de sua residência na Rua Sebastião Humel. Esta foi projeto de um engenheiro paulista e teve como construtor o sr. Emílio Servija Martins. Foi inaugurada em Junho de 1945, com benzimento e recepção, demonstrando a interação com a “sociedade” joseense:

O benzimento da confortável residência do Dr. João Batista de Souza Soares – D. Lourdes Souza Soares.

Dia 23, à noite, o distinto casal Dr. João Batista S. Soares – D. Lourdes Souza Soares, após o benzimento de sua confortável residência pelo revdo Padre Osvaldo Bindão, ofereceu as pessoas de suas relações de amizade uma recepção de caracter intimo, ofertando aos presentes farta mesa de iguarias e doces, champanha e cokteil (...)[1]

Participou da Revolução Constitucionalista de 1932, juntamente com Costanzo de Finis, Pedro Rachid, Vieira Macedo, através do Ouro para Vitória. Faleceu em 14 de Julho de 1979.

O imóvel permaneceu como residência nas mãos da família até o ano 2000, quando foi vendida a Andréa Petini, que entrou na Prefeitura Municipal com um pedido de mudança de uso de residência para uso em fins comerciais, sendo atualmente usado como agência de emprego temporário.

João Batista foi um dos médicos que nos propiciou ter um quadro mais amplo de suas idéias, graças a seus artigos, tanto no Boletim Médico, quanto nos Álbuns da cidade, além de jornais na capital do Estado. Nestes pode-se entrever um profissional que estimulava a intervenção do médico na vida urbana e social da cidade, além de um defensor férreo da Estância Hidromineral e Climatérica e do potencial de cura do Clima. Muitas de suas idéias, ou de sua classe profissional acabaram sendo executados no corpo da cidade.

Sua residência apresenta-se assim, não só um representante arquitetônico de uma época, mas também e principalmente, um dos poucos representantes da história privada dos médicos sanitários em São José.


 

[1] Correio Joseense, 24/06/1945, n° 1046.

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